sexta-feira, 11 de maio de 2007

Minha longa estada de 24 horas numa clínica psiquiátrica....

Acabei de chegar em Campos.
São cinco da manhã... Eu deveria estar dormindo e descansando, mas não consigo nem posso!
Estou aborrecida, enraivecida e me sentindo desrespeitada!
Minha indignação com o tratamento que me foi dado na clínica não diminui!
Saí de casa, excluí minha família do meu tratamento acreditando com todas as minhas forças que estar internada numa clínica psiquiátrica me faria bem.
Afinal, minha lógica e minha experiência de vida sempre me levaram a crer no profissionalismo das instituições.
Estou tentando entender até agora o que foi aquilo que aconteceu comigo nas últimas 24 horas.
Afinal, eu nunca estive numa clínica psiquiátrica (graças a Deus!). Tudo o que imaginei nessas semanas foram baseadas em situações observadas em filmes e livros e gostaria de ter sido preparada para o que aconteceria comigo a partir do momento em que eu assinasse minha internação! EU FUI POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE!!!!
Acreditei com todo meu coração que o médico me levaria para um lugar em que existissem pessoas com sensibilidade e profissionalismo suficientes para entender os cuidados e a atenção de que eu precisava.
Fiquei apavorada com o que eu encontrei e ainda continuo!
Não sei quando esse espanto vai passar!
Confesso que estou mais traumatizada com as 24 horas que passei trancada lá do que com todas as confusões da minha casa nos últimos dias....
Já na sala com a médica da clínica, eu percebi que daria errado e queria ter confiado no meu sexto sentido!
Foi humilhante ver 3 pessoas que eu nunca vi na vida revirando minhas coisas atrás de objetos "perigosos"! Existem formas e formas de se fazer isso e, com certeza, a que essa clínica ou esses profissionais adotam está longe de ser educada e humana.
Se a intenção era me deixar confusa, eles conseguiriam. Nem conseguia raciocinar mais sobre o q eu desejava ter comigo ou não.
Ouvi chacota pela quantidade de roupa e pela quantidade de comida que levei.
Me tiraram objetos pessoais que eu considero essenciais.
Não me deixaram guardar meus pertecentes na MINHA mala que tinha 3 cadeados e evitaria qualquer tipo de roubo.
Quebraram minha escova de cabelo para ter certeza de que nada "perigoso" estava escondido nela....
Se a intenção era quadruplicar minhas idéias sobre como me suicidar, eles conseguiram!
Até ontem o máximo em que eu pensaria seria em tomar Rivotril demais!
Hoje sei que meu tênis é perigoso! Assim, lembrarei para sempre de deixá-lo longe do alcance das crianças....
Não podia ouvir música, não podia ler meus livros, não podia usar tênis, não podia usar desodorante, não podia usar lente de contato, não podia usar minha fivela de cabelo.... Só quando uma psicóloga que nunca apareceu autorizasse! SE autorizasse!!! 24 horas numa clínica e só um enfermeiro apareceu para medir minha pressão.... Pode ser plano de saúde, mas eu pago por ele! Nessa palhaçada, perdi meus óculos de sol. E eu GARANTO que não foi nenhum paciente! Sei exatamente quem pegou nele pela última vez! Até porque a funcionária fez questão de dizer que eu não precisava deles lá!
Perdi minhas lentes de contato!
Perdi o direito de descansar!
Perdi as contas de quantas vezes me acordaram, mas posso garantir que foram mais de 15 em menos de 24 horas!
Tiveram também a gentileza de me avisar que lugar de dormir é em casa e não lá e que era pra levantar e ir buscar o remédio....
Outra gentileza foi espirrar Bom Ar no meu quarto comigo dormindo de janela e portas fechadas...
Não posso esquecer que a tal psicóloga finalmente teve a gentileza de aparecer depois que meu pai já tinha assinado minha saída.... Apenas para comentar que nós não tivemos "oportunidade" de nos conhecermos e para garantir que tudo o que estava na clínica já me havia sido devolvido... Graças a Deus ainda tive (e tenho) lucidez para afirmar categoricamente que faltavam coisas e milagrosamente meus livros e minha bolsa (QUE DEVERIA CONTER OS ÓCULOS) apareceram....
Na minha longa estada de 24 horas numa clínica psiquiátrica, a única coisa que eu me perguntava e que continuo querendo saber a resposta é: alguém sabia o motivo de eu estar lá? Alguém avisou que eu precisava dormir?
É esse o tratamento desumano dado ao um ser humano com problemas mentais ou viciado?
Sinceramente, não sei o que fui fazer lá... Com certeza, me tratar ou descansar é que não foi...

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